Criatividade, alegria e diversão em fantasias dos mais variados estilos marcaram o carnaval de rua de Vigia de Nazaré, no nordeste paraense, onde foliões de dois blocos tradicionais saíram pelas ruas da cidade ontem à tarde: “As Virgienses” e “Os Cabraçurdos”. Ambos tiveram como tema os 400 anos da cidade. A forte chuva que caiu sobre Vigia durante a tarde não esmoreceu os brincantes. Segundo a organização do carnaval de Vigia, mais de 100 mil pessoas participaram dos blocos.
Com o tema “400 beijos para Vigia”, as Virgienses começaram a desfilar pelas ruas estreitas por volta de 17 horas. Na concentração, os foliões receberam copos de caipirinha. A organização do bloco fez mais de mil litros de caipirinha para distribuir aos brincantes. O bloco tradicional é formado exclusivamente por homens vestidos de mulher. “Há 31 anos que o bloco sai às ruas. Ele foi o pioneiro na cidade. Em uma época que tinha apenas o baile de carnaval à noite. Neste ano resolvemos homenagear Vigia, que fez 400 anos. Aqui tem muita diversão e criatividade. Nem a chuva afasta o folião”, comentou o presidente das Virgienses, Tiago Palheta, que distribuía a caipirinha na concentração.
Dois trios saíram pelas ruas, arrastando As Virgienses. Um foi comandado pelo Clube Musical União Vigiense, que tem 100 anos, e o outro pelo Sorriso Moleque. As músicas foram as marchinhas de carnaval e também os sucessos do axé, samba, forró e sertanejo. O bloco terminou no corredor da folia, que fica no espaço cultural Dia Pê.
As fantasias usadas pelos brincantes foram criativas. Teve homem vestido de “Senhorita Andreza”, célebre nas redes sociais pelo convite a uma festa com drogas e sexo e que depois foi presa; outros se vestiram de Elsa, do filme Frozen, de mulher-gato, de princesa, de guerreira. Tinha fantasia bem elaborada, com peruca, acessórios, vestido com as característica do personagem escolhido. E outras bem simples, mas que mesmo assim não deixavam de ser descontraídas. Uma toalha, uma peruca velha, meia-calça, sutiã da esposa e até a camisola eram peças que ajudaram os rapazes a compor o modelito para usar no bloco “As Virgienses”. A música “Meu Violão e o Nosso Cachorro”, da dupla Simone e Simaria, também inspirou muitos brincantes, que levaram um poodle e um violão, colocaram saia, blusa e bota e saíram desfilando pelas ruas.
E para não molhar a fantasia, muitos foliões incorporaram guarda-chuva e sombrinha, elemento essencial usado por muitos brincantes por causa da chuva forte. Outros curtiam a folia até debaixo d’água.
“O importante é se divertir. Imagina você vir para uma cidade onde as pessoas estão para se divertir. Não tem perigo e nem preconceito. Aqui o homem se veste de mulher, a mulher de homem, e tudo corre na maior paz. Isso me atraiu. Meu amigo me convidou e eu vim. A minha fantasia foi improvisada. Peguei um vestido emprestado, coloquei a peruca, passei o batom e pronto. Estou pronto para a folia. Nem a chuva vai impedir a gente de brilhar”, afirmou o estudante Gregório Neto, 20 anos, que participou pela primeira vez do bloco “As Virgienses”.
Jorge Lima, 44 anos, e os amigos foram fantasiados de mulher gato. O grupo curte há 16 anos o Carnaval em Vigia. Com o tema “Mulher gato na captura da gurijuba em Vigia”, Jorge e os amigos saíram pelas ruas divertindo quem passava e também se divertindo. “Dizem que o caldo da gurijuba é afrodisíaco, nada melhor do que vir fantasiado assim. Participamos do carnaval há 16 anos e sempre é muita alegria”, disse ele.
No bloco “Os Cabraçurdos” as mulheres optaram pelo tradicional bermudão, boné e rosto pintado com detalhes de uma barba. “É meu primeiro ano em Vigia e estou gostando. Volto só na quarta-feira para casa e até lá ainda tem muito o que curtir”, afirmou a estudante Meridian Correa, 19 anos. A segunda-feira de folia em Vigia terminou com o bloco “Gaiola das Loucas”, que também tem homens vestidos de mulher. Mas nesse, as mulheres também podem participar.
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