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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Vendedores criam associação trabalhista


Vendedores criam associação trabalhista (Foto: Elcimar Neves/Diário do Pará)
Categoria quer mostrar aos passageiros que é formada por pais de família que querem trabalhar. (Foto: Elcimar Neves/Diário do Pará)
“Bom dia a todos, me desculpem se eu estiver incomodando a viagem de vocês”. Usuários do transporte coletivo de Belém já identificam de imediato quem reproduz essa frase centenas de vezes todos os dias. São os vendedores autônomos que circulam nos ônibus pela cidade, com a venda dos mais variados produtos.

Doces, salgados, meias e até escovas de dentes são oferecidos a quem está a caminho do trabalho, da escola ou de casa. A atividade, que nem sempre agrada a todos, já foi alvo da tentativa de proibição por parte do órgão gerenciador dos transportes em Belém em meados de 2014, por conta de diversas reclamações de passageiros, que iam do excesso de vendedores à sensação de insegurança, já que houve relatos de tentativas de assalto por parte de pessoas que se passavam por vendedores.

Com a intenção de filtrar e organizar a atividade, dois desses vendedores autônomos resolveram se unir e oficializar a AVATC - Associação dos Vendedores Autônomos dos Transportes Coletivos, que pretende estabelecer um padrão para quem tira o sustento desse tipo de comércio. O membro cadastrado na associação vai estar uniformizado com colete e identificado com crachá, onde vai constar o número de identidade e ainda um telefone para reclamações.

“Quando o vendedor sobe no coletivo, já sente aquela discriminação e desconfiança. A iniciativa é para que a própria sociedade possa ver que estamos nos organizando a fim de mostrar que somos pessoas de bem, pais de família que querem trabalhar dignamente”, garantiu o presidente da associação, Eliezer do Vale.

De acordo com Vale, cerca de 380 vendedores já foram cadastrados. Pelo menos 100 atuam desde dezembro do ano passado, com o material padronizado. A abrangência será gradativa e o limite para cadastro será de 400 vendedores, segundo Eliezer.

No ato do cadastro, são exigidos a identificação do vendedor, comprovante de residência e é obrigatório que ele tenha um produto para oferecer ao usuário do coletivo. “Não aceitaremos pedintes, pois teremos também um trabalho de apoio para aquele vendedor que não tiver condições de comprar o produto para trabalhar”, garantiu um dos organizadores da AVATC, Kléber Silva.

RESPEITO

A vendedora Maria Zilah, 38 anos, há 17 trabalha nos coletivos com a venda de biscoitos. Ela conta que criou 5 filhos, paga aluguel e garantiu os estudos da filha com a renda das vendas. “Já fui agredida e tive o isopor quebrado enquanto tentava trabalhar. Essa organização sem dúvida vai nos garantir mais respeito”, avaliou.

“A gente se sente mais seguro, sim, com certeza, pois sabe que aquelas pessoas estão levando seu trabalho a sério e não estão ali para nos enganar”, avaliou a costureira Rosi Campos, 34, que aguardava condução no ponto de ônibus.

Os fundadores da associação já emitiram ofícios solicitando a liberação das vendas à Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob), à Prefeitura de Belém e ao Ministério Público do Estado e aguardam retorno.

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